terça-feira, 6 de setembro de 2011

LETTERS TO GOD

Acreditando no impossível e mantendo uma fé inabalável, Tyler, um menino que tem câncer, escreve cartas diariamente para Deus em forma de oração. Um filme maravilhoso que nos faz refletir sobre nossa fé e intimidade com o Pai.  
 
Sinopse: “Cartas para Deus” (Letters to God), Tyler Doherty (Tanner Maguire) tem 8 anos e sofre de câncer, os médicos estão desacreditados sobre suas chances de vida. Apesar da situação difícil Tyler coloca sua fé em Deus acima de tudo, por meio de cartas diárias começa a escrever um diário sobre suas esperanças de que algum anjo possa salvá-lo.
Diretor: David Nixon, Patrick Doughtie
Elenco: Robyn Lively, Jeffrey Johnson, Bailee Madison, Maree Cheatham, Tanner Maguire, Michael Bolten, Dennis Neal
Produção: Tom Swanson, Art D’Alessandro, Andre Dugger, David Nixon
Roteiro: Art D’Alessandro, Sandra Thrift, Cullen Douglas
Trilha Sonora: Colin O’Malley
Duração: 110 min.
Ano: 2010
Gênero: Drama

quinta-feira, 26 de maio de 2011

THE LOST THING


Geralmente quando andamos na rua e nos deparamos com pessoas de atitudes 'estranhas', vestimentas 'estranhas', jeito 'estranho' automaticamente nossa atenção volta-se mais de uma vez para a 'figura estrambótica'. No filme "The Lost Thing" - A COISA PERDIDA - que ganhou o oscar de Melhor Curta de Animação, conferido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, acontece exatamente o contrário. As coisas que deveriam chamar a atenção, passam despercebidas. O curta tem 15 minutos apenas (bem curto) mas é grandioso!É uma adaptação do livro "Lost & Found" do autor e ilustrador Shaun Tan.


A obra animada é sobre um menino que ao procurar por tampas de garrafas na praia, encontra uma criatura estranha, muito estranha,meio bicho, meio máquina. É narrado em primeira pessoa. Surpreende pela originalidade e qualidade. Embora pareça ser uma história simples e infantil, é no decorrer da trama que descobre-se que o público a que se destina é o adulto. O fato da frieza com que a sociedade trata aquilo que lhé é 'diferente' com indiferença fica claro ao longo do curta. Em um momento da animação o menino e a 'coisa' estão contrários à correnteza. E ninguém, apesar do aspecto nada convencional e até assustador da 'coisa', presta atenção ou para para questionar o que é 'aquilo'.



Só o menino age de forma diferente... Ele de uma certa forma simpatiza-se e até identifica-se com a coisa no momento em que a conhece. Ele passa despercebido pela sociedade que o cerca, a única que presta atenção é a estranha criatura. A 'coisa', como ele passa a chamá-la, aproxima-se dele contextualizando através de uma bola de futebol. Ele sente-se responsável por achar um lugar onde a estranha criatura possa ficar já que em sua casa é proibido pelos pais a deixar aquela coisa passar a noite.



A 'coisa' revela-se com uma certa inocência ao menino e uma ingenuidade cativante. A confiança e a amizade que dedica ao menino é impressionante. Dá a impressão de que o menino ao tentar achar um lugar em que aquela criatura pertença, acaba por descobrir um mundo que antes ele não conhecia. E a percepção que ele tem de que talvez não haja tanta coisa perdida mais nesse mundo onde ninguém presta atenção em nada, acaba por fazer a revelação da história: coisas estranhas não aparecem com tanta frequência ou 'talvez simplesmente tenha parado de percebê-las, ocupado demais fazendo outras coisas..."



Sensacional!

domingo, 19 de setembro de 2010

SILÊNCIO

Fala comigo em silêncio...
vou entender mesmo que não profiras nenhuma palavra.
já provocamos muitos ruídos com os ditos que não queríamos
e acabamos não pronunciando o que sentíamos...
o som que sai da nossa boca não traduz o que vai n'alma
por isso a solução é o nosso silêncio...
ninguém precisa saber o que sentimos
nem eu... nem tu...
quando cruzarmos nossos olhares, que eles não demonstrem os medos,
que façam promessas ousadas, que jamais pudéssemos cumprí-las...
e se teu sorriso costumeiro aflorar, que seja carregado de desejo
dizendo que está feliz pela minha presença...
e se quiser pode me ennvolver naquele abraço,
fazendo que eu sinta o teu coração bater descompassadamente
e então…
beija-me... beija-me... beija-me demoradamente...
deixa-me sentir aquele arrepio que a tua boca me provoca e que me percorre o corpo.
desde os dia em que enredei os meus dedos nos teus tive a sensação que fiz você compreender que me pertences
e que jamais te deixaria partir...
não me deixe então conformar-me em que tu desistas de mim!
Traduz rápido o meu silêncio!?!
(Alde)

NÃO DIZ...

"Se você me convidar para um simples café, farei questão em ir. Estou feliz! E se você não achar vaga no estacionamento, não faz mal, tem seguro, o que importa é que estaremos juntos!"
Foi assim que ele me levou... Shopping cheio, nada de privacidade. "Tem algo que você queria me dizer?" Você sorri da minha pergunta, indiscreta aliás, e nada diz! Um sorvete, daqueles que você sabe tão bem que gosto. E que você só toma para me acompanhar, pois diz que tem um gosto amargo. Enquanto me delicio, você me olha, observa, eu diria. "Você está tão enigmático!" Quando saímos daquela confusão de gente gritando, andando, correndo, rindo, achei que finalmente você me diria. Abriu-me a porta, fez uma mesura e sorriu. Deu a volta, entrou no carro, colocou o cinto de segurança e percebi nervosismo nos dedos ao errar o encaixe do teu. Ouvi teu respirar de alívio, quando com o carro já em movimento, ouvimos o "click" encaixado.
Confesso, senti-me estranha, enquanto o carro silenciosamente trafegava pelas ruas agitadas de cidade grande em pleno feriado. Não sei se pelo clima, café, sorvete, mas o fato é que estava desapontada por não aproveitares o momento para me fazer algum carinho, como sempre o fazia, quando me ajudava a colocar o cinto. Claro que era nossa desculpa, mas senti falta disso nesse instante. Talvez pelo fato de que eu me sentisse mais segura, não por causa do equipamento de segurança, mas em sentir teus braços em volta de mim. Senti-me desprotegida, como há muito tempo não sentia.
Lembra daquele dia? Em que paramos o carro no estacionamento, quase vazio, e que ao retirar meu cinto, jogava a cadeira para trás e dizia: "e agora? o que poderá fazer?" Sentia-me tão segura dessa forma. E só tomei consciência agora, depois desse nosso sorvete gelado! O que dizer ainda das tuas tentativas de tentar advinhar meus gostos e levar-me ao cinema para assistir teus gostos por filmes estrangeiros, mesmo sabendo que tenho receios se não leio a sinopse antes e me certifico que há uma boa crítica em relação a eles. Aprendi a confiar no teu bom gosto, a partir disso.
Aos poucos foi se tornando comum os teus acertos nos meus gostos mais estrambóticos aos mais comuns. Deve ser por isso que as maiores surpresas da minha vida, foram trazidas por você. É como se você se especializasse em me fazer sentir feliz! Não pelo valor dos objetos que me presenteavas, mas pelo sentimento que emprestava a eles, pela criatividade em me apresentar a eles e principalmente pela forma inovadora de fazer as mesmas coisas de forma tão incomum.
Quando teu braço tocou o meu, na curva logo adiante, acordei de meu devaneio e pude perceber uma ruga de preocupação em tua testa. O que te vai ao coração? Tu consegues me ler tão bem! Mas para mim tu és um estanho ultimamente! Apesar dos gosto tão em comum que temos sabemos que ainda muitas coisas são inversamente proporcionais e que tem feito toda diferença na nossa reaproximação. É explícito em nós esta vontade que temos que fiquemos juntos, mas há algo que nos impede de nos juntarmos tão simples assim! Você tem poupado palavras que antes eram tão corriqueiras em teus lábios. Eu tenho tido dificuldades para organizar meu pensamento e medo em pronunciar algo que te magoe.
Tenho saudades, muitas saudades. E sei que foram os meus defeitos e minhas características adversas que levaram a ruir tudo o que de bom havia em nós. O que acho estranho ainda, é que mesmo assim, ficamos encantados um com o outro e que ainda tenhamos esperanças em reatar de alguma forma esse casal que um dia fomos ou sonhamos ser.
E o que me intriga ainda mais é essa teimosia minha em achar que nada será tão diferente assim... Mesmo que eu não saiba explicar o porquê, razão, motivo...
O carro pára... Eu só quero descer e ir para o meu quarto! E deixo claro isso para você no meu adeus! A última coisa que escutei da rua, foram os pneus se afastando vagarosamente e sem ouvir o que você tinha a me dizer...
(Alde)

sábado, 18 de setembro de 2010

O QUE EU ERA

Um dia me falastes bem baixinho
devagarinho
que eu era teu segredo mais oculto,
e quase com lágrimas
que teimavas esconder
disse que eu era teu desejo mais profundo,
o teu bem querer...
E me falavas da tua fome em ter-me sem disfarçar

Na imagem ficaram as palavras declaradas
de que eu era a fonte de alegria
E me dedicavas o teu sonhar...

... palavras no passado...

Hoje
sinto-me tua sombra
em plena luz do dia
(...)

E fico a imaginar se sentes falta
talvez saudade reprimida,
e se ao pensares na minha existência
sangras
ao lembrares minha partida...

Enquanto isso
meu peito apela, grita de dor...
e não consigo dizer mais nada...
 

(Alde)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

DES.ATINOS

Ontem ela dormiu com a sensação de mar agitado, as ondas quebrando, encobrindo, chorando... na verdade suplicavam. Ela não conseguia entender... elas iam e vinham o tempo todo... aliás há tempos o mar faz isso... sem querer conversar, apenas ir... e vir...
Na maresia, o gosto do sal confundia-se com o cheiro da boca, tão doce e conhecido. Ela vê que tudo não passa de abuso e se irrita: por que tentou se afastar? Que razões teria para deixar algo que faz um bem, que preenche as horas, que suaviza os momentos de penúria? Ela chega a sentir na pele as mordidas de leve, quase machucando, a barba por fazer e as palavras... Ah! as palavras ficam dançando na memória, no ouvido e provocam um sorriso triste tão facilmente...
Ela tenta ouvir a música que toca... mais uma daquelas que foram escolhidas... lembranças... doces, suaves... música e silêncio. Essa combinação era tão perfeita. Que saudades...ela sente sim!
Agarra, não deixa! - o vento parecia querer dizer. Como dizer não?! se achou tão bom!!! Ela ali, com uma imensa vontade de que ele a tome em algum momento. Nos mesmos instantes de doçura e delicadeza em que a tocava, toque agora novamente. Fique como outrora, brinca com ela, pede a sua boca, nem que seja em pensamentos. Ela saberá ouvi-lo, como era tão fácil fazer!
Tão sem destino...
(Alde)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

TENTANDO

Eles já haviam passado por aquilo... já era tarde da noite, a música silenciosa tocava no interior do veículo, na rua escura, deserta... Algumas luzes cintilavam ao longe, acendiam, apagavam... Aquele silêncio entre os dois já estava meio insuportável. Ela pigarreou, encolheu as mãos. Ele olhava pelo retrovisor, como se estivesse esperando mais alguém chegar.
Ela sentia-se errada... como se a qualquer momento fosse descoberta. Ela tremia internamente, mordia os lábios já sem batom algum. Por que ele insistia naquela pergunta? Parecia-lhe inevitável tocar nesse assunto quando tudo parecia bem e a noite prometia ser tranquila para ambos. A companhia dele a agradava profundamente naqueles últimos dias, sem que ela tivesse que se esforçar para tal.
A leveza daquele encontro ia ficando para trás. Ela sabia que ao entrar no quarto ficaria olhando a janela ao longe, imaginando os ruídos, os hábitos... A moldura do passado mais uma vez fixaria morada em sua parede, enquanto ela provavelmente ficaria jogada na cama após uma enxurrada de sentimentos, desafetos, lembranças.
Ele a tinha? Não era isso o que importava? Ele não dizia sempre que a sua mente era brilhante, o que evidenciava ainda mais o porquê da sua admiração e dedicação? Ela não lhe pedira nada! Então por que ele insistia na pergunta que ela simplesmente evitava?
O mundo dela não era real. As costumeiras rugas apareciam no canto dos lábios, os olhos ficavam cada vez mais fundos, as olheiras mais roxas e a maquilagem já não era capaz de camuflar sua falta de sono e as lágrimas derramadas por sua própria resignação.
De repente ele sussurra algo e causa-lhe um profundo arrepio. Ela quer sentir o cheiro dele novamente mas algo a impede de prosseguir. Ela tira suas mãos que seguravam fortemente o assento e calmamente toca as mãos dele que permaneciam agora sobre o volante como se a qualquer momento fosse partir.
Por vezes, aquela mulher ao lado dele assumia uma atitude indiferente, como se estivesse a quilômetros dali, em algum lugar que ele não a pudesse ter, ouvir, desejar... No entanto agora lá estava ela tocando as mãos dele como se quisesse que ele entendesse tudo, sem palavra alguma. O silêncio era necessário.
Não se sabe quanto tempo os dois passaram assim, olhando o horizonte cintilante.
Ele toma coragem... diz que o conveniente era que eles descansassem e repetiu, como num atômato, que a noite fora fantástica. Que vê-la sorrir novamente com naturalidade fizeram-no acreditar que a mulher que ele amara, aquela tão sorridente, imprevisível, moleca, intrigante, fascinante, estava voltando aos poucos a ocupar aquele corpo.
Ela sorriu vagamente! E quis se desculpar, mas ele colocou o dedo nos lábios dela e disse que não era necessário, ele entendia e teria paciência, o quanto fosse preciso.
Ele se foi, depois de depositar um beijo rápido em seus lábios frios. Esperou-a entrar em casa e partiu.
Ela permaneceu deitada na cama com as mesmas roupas... tentou não olhar para a parede, mas a moldura lá estava, com o mesmo rosto de todas as outras noites...
Até quando?
(Alde)