Fala comigo em silêncio...
vou entender mesmo que não profiras nenhuma palavra.
já provocamos muitos ruídos com os ditos que não queríamos
e acabamos não pronunciando o que sentíamos...
o som que sai da nossa boca não traduz o que vai n'alma
por isso a solução é o nosso silêncio...
ninguém precisa saber o que sentimos
nem eu... nem tu...
quando cruzarmos nossos olhares, que eles não demonstrem os medos,
que façam promessas ousadas, que jamais pudéssemos cumprí-las...
e se teu sorriso costumeiro aflorar, que seja carregado de desejo
dizendo que está feliz pela minha presença...
e se quiser pode me ennvolver naquele abraço,
fazendo que eu sinta o teu coração bater descompassadamente
e então…
beija-me... beija-me... beija-me demoradamente...
deixa-me sentir aquele arrepio que a tua boca me provoca e que me percorre o corpo.
desde os dia em que enredei os meus dedos nos teus tive a sensação que fiz você compreender que me pertences
e que jamais te deixaria partir...
não me deixe então conformar-me em que tu desistas de mim!
Traduz rápido o meu silêncio!?!
(Alde)
domingo, 19 de setembro de 2010
NÃO DIZ...
"Se você me convidar para um simples café, farei questão em ir. Estou feliz! E se você não achar vaga no estacionamento, não faz mal, tem seguro, o que importa é que estaremos juntos!"
Foi assim que ele me levou... Shopping cheio, nada de privacidade. "Tem algo que você queria me dizer?" Você sorri da minha pergunta, indiscreta aliás, e nada diz! Um sorvete, daqueles que você sabe tão bem que gosto. E que você só toma para me acompanhar, pois diz que tem um gosto amargo. Enquanto me delicio, você me olha, observa, eu diria. "Você está tão enigmático!" Quando saímos daquela confusão de gente gritando, andando, correndo, rindo, achei que finalmente você me diria. Abriu-me a porta, fez uma mesura e sorriu. Deu a volta, entrou no carro, colocou o cinto de segurança e percebi nervosismo nos dedos ao errar o encaixe do teu. Ouvi teu respirar de alívio, quando com o carro já em movimento, ouvimos o "click" encaixado.
Confesso, senti-me estranha, enquanto o carro silenciosamente trafegava pelas ruas agitadas de cidade grande em pleno feriado. Não sei se pelo clima, café, sorvete, mas o fato é que estava desapontada por não aproveitares o momento para me fazer algum carinho, como sempre o fazia, quando me ajudava a colocar o cinto. Claro que era nossa desculpa, mas senti falta disso nesse instante. Talvez pelo fato de que eu me sentisse mais segura, não por causa do equipamento de segurança, mas em sentir teus braços em volta de mim. Senti-me desprotegida, como há muito tempo não sentia.
Lembra daquele dia? Em que paramos o carro no estacionamento, quase vazio, e que ao retirar meu cinto, jogava a cadeira para trás e dizia: "e agora? o que poderá fazer?" Sentia-me tão segura dessa forma. E só tomei consciência agora, depois desse nosso sorvete gelado! O que dizer ainda das tuas tentativas de tentar advinhar meus gostos e levar-me ao cinema para assistir teus gostos por filmes estrangeiros, mesmo sabendo que tenho receios se não leio a sinopse antes e me certifico que há uma boa crítica em relação a eles. Aprendi a confiar no teu bom gosto, a partir disso.
Aos poucos foi se tornando comum os teus acertos nos meus gostos mais estrambóticos aos mais comuns. Deve ser por isso que as maiores surpresas da minha vida, foram trazidas por você. É como se você se especializasse em me fazer sentir feliz! Não pelo valor dos objetos que me presenteavas, mas pelo sentimento que emprestava a eles, pela criatividade em me apresentar a eles e principalmente pela forma inovadora de fazer as mesmas coisas de forma tão incomum.
Quando teu braço tocou o meu, na curva logo adiante, acordei de meu devaneio e pude perceber uma ruga de preocupação em tua testa. O que te vai ao coração? Tu consegues me ler tão bem! Mas para mim tu és um estanho ultimamente! Apesar dos gosto tão em comum que temos sabemos que ainda muitas coisas são inversamente proporcionais e que tem feito toda diferença na nossa reaproximação. É explícito em nós esta vontade que temos que fiquemos juntos, mas há algo que nos impede de nos juntarmos tão simples assim! Você tem poupado palavras que antes eram tão corriqueiras em teus lábios. Eu tenho tido dificuldades para organizar meu pensamento e medo em pronunciar algo que te magoe.
Tenho saudades, muitas saudades. E sei que foram os meus defeitos e minhas características adversas que levaram a ruir tudo o que de bom havia em nós. O que acho estranho ainda, é que mesmo assim, ficamos encantados um com o outro e que ainda tenhamos esperanças em reatar de alguma forma esse casal que um dia fomos ou sonhamos ser.
E o que me intriga ainda mais é essa teimosia minha em achar que nada será tão diferente assim... Mesmo que eu não saiba explicar o porquê, razão, motivo...
O carro pára... Eu só quero descer e ir para o meu quarto! E deixo claro isso para você no meu adeus! A última coisa que escutei da rua, foram os pneus se afastando vagarosamente e sem ouvir o que você tinha a me dizer...
(Alde)
sábado, 18 de setembro de 2010
O QUE EU ERA
Um dia me falastes bem baixinhodevagarinho
que eu era teu segredo mais oculto,
e quase com lágrimas
que teimavas esconder
disse que eu era teu desejo mais profundo,
o teu bem querer...
E me falavas da tua fome em ter-me sem disfarçar
Na imagem ficaram as palavras declaradas
de que eu era a fonte de alegria
E me dedicavas o teu sonhar...
Hoje
sinto-me tua sombra
em plena luz do dia
(...)
E fico a imaginar se sentes falta
talvez saudade reprimida,
e se ao pensares na minha existência
sangras
ao lembrares minha partida...
Enquanto isso
meu peito apela, grita de dor...
e não consigo dizer mais nada...
(Alde)
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
DES.ATINOS
Ontem ela dormiu com a sensação de mar agitado, as ondas quebrando, encobrindo, chorando... na verdade suplicavam. Ela não conseguia entender... elas iam e vinham o tempo todo... aliás há tempos o mar faz isso... sem querer conversar, apenas ir... e vir...
Na maresia, o gosto do sal confundia-se com o cheiro da boca, tão doce e conhecido. Ela vê que tudo não passa de abuso e se irrita: por que tentou se afastar? Que razões teria para deixar algo que faz um bem, que preenche as horas, que suaviza os momentos de penúria? Ela chega a sentir na pele as mordidas de leve, quase machucando, a barba por fazer e as palavras... Ah! as palavras ficam dançando na memória, no ouvido e provocam um sorriso triste tão facilmente...
Ela tenta ouvir a música que toca... mais uma daquelas que foram escolhidas... lembranças... doces, suaves... música e silêncio. Essa combinação era tão perfeita. Que saudades...ela sente sim!
Agarra, não deixa! - o vento parecia querer dizer. Como dizer não?! se achou tão bom!!! Ela ali, com uma imensa vontade de que ele a tome em algum momento. Nos mesmos instantes de doçura e delicadeza em que a tocava, toque agora novamente. Fique como outrora, brinca com ela, pede a sua boca, nem que seja em pensamentos. Ela saberá ouvi-lo, como era tão fácil fazer!
Tão sem destino...
(Alde)
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
TENTANDO
Eles já haviam passado por aquilo... já era tarde da noite, a música silenciosa tocava no interior do veículo, na rua escura, deserta... Algumas luzes cintilavam ao longe, acendiam, apagavam... Aquele silêncio entre os dois já estava meio insuportável. Ela pigarreou, encolheu as mãos. Ele olhava pelo retrovisor, como se estivesse esperando mais alguém chegar.
Ela sentia-se errada... como se a qualquer momento fosse descoberta. Ela tremia internamente, mordia os lábios já sem batom algum. Por que ele insistia naquela pergunta? Parecia-lhe inevitável tocar nesse assunto quando tudo parecia bem e a noite prometia ser tranquila para ambos. A companhia dele a agradava profundamente naqueles últimos dias, sem que ela tivesse que se esforçar para tal.
A leveza daquele encontro ia ficando para trás. Ela sabia que ao entrar no quarto ficaria olhando a janela ao longe, imaginando os ruídos, os hábitos... A moldura do passado mais uma vez fixaria morada em sua parede, enquanto ela provavelmente ficaria jogada na cama após uma enxurrada de sentimentos, desafetos, lembranças.
Ele a tinha? Não era isso o que importava? Ele não dizia sempre que a sua mente era brilhante, o que evidenciava ainda mais o porquê da sua admiração e dedicação? Ela não lhe pedira nada! Então por que ele insistia na pergunta que ela simplesmente evitava?
O mundo dela não era real. As costumeiras rugas apareciam no canto dos lábios, os olhos ficavam cada vez mais fundos, as olheiras mais roxas e a maquilagem já não era capaz de camuflar sua falta de sono e as lágrimas derramadas por sua própria resignação.
De repente ele sussurra algo e causa-lhe um profundo arrepio. Ela quer sentir o cheiro dele novamente mas algo a impede de prosseguir. Ela tira suas mãos que seguravam fortemente o assento e calmamente toca as mãos dele que permaneciam agora sobre o volante como se a qualquer momento fosse partir.
Por vezes, aquela mulher ao lado dele assumia uma atitude indiferente, como se estivesse a quilômetros dali, em algum lugar que ele não a pudesse ter, ouvir, desejar... No entanto agora lá estava ela tocando as mãos dele como se quisesse que ele entendesse tudo, sem palavra alguma. O silêncio era necessário.
Não se sabe quanto tempo os dois passaram assim, olhando o horizonte cintilante.
Ele toma coragem... diz que o conveniente era que eles descansassem e repetiu, como num atômato, que a noite fora fantástica. Que vê-la sorrir novamente com naturalidade fizeram-no acreditar que a mulher que ele amara, aquela tão sorridente, imprevisível, moleca, intrigante, fascinante, estava voltando aos poucos a ocupar aquele corpo.
Ela sorriu vagamente! E quis se desculpar, mas ele colocou o dedo nos lábios dela e disse que não era necessário, ele entendia e teria paciência, o quanto fosse preciso.
Ele se foi, depois de depositar um beijo rápido em seus lábios frios. Esperou-a entrar em casa e partiu.
Ela permaneceu deitada na cama com as mesmas roupas... tentou não olhar para a parede, mas a moldura lá estava, com o mesmo rosto de todas as outras noites...
Até quando?
(Alde)
ESQUEÇA TUA MARIA
"RASGUE AS MINHAS CARTAS E NÃO ME PROCURES MAIS..."
Enquanto caminhava à beira-mar, ouvia meus passos suaves na fina areia... canção.. Embora a praia estivesse praticamente deserta, algumas pessoas que me passavam pelos olhos voltavam seus olhares umas 2 ou 3 vezes... o que pensavam? Não sei...
... também não me interessava...
talvez meu canto surdo fosse tão alto que as incomodasse
talvez meu modo simples de trajes, ou extravagantes...
o fato é que o que eu não queria eu estava fazendo:
chamando atenção...
Percebi que cantarolava junto com a canção selecionada ao acaso: "O retrato que eu te dei se ainda tens não sei..."
Com certeza não terá!
Talvez nem mais minha imagem faça parte do repertório de lembranças daquele sujeito...
Ah! sujeito...
Suspiro tão profundo, que vejo duas meninas cochichando... por certo falando de minha loucura... mas estou à beira-mar... permito-me ser insana...
"...mas se tiver devolva-me..."
E sozinha rio de mim mesma... que audácia pensar isso assim?
Vontade de gritar
Vontade de rabiscar na areia como sempre fazia
Mas por certo devo acordar já no desenho da primeira letra do nome proibido
"...deixe-me sozinho porque assim eu viverei em paz..."
ele deveria cantar isso para mim
"assim eu viverei em paz..."
Meus pés chutam a areia, a água gelada
enquanto a música é interrompida pelos acordes de um estilo que não curto e nem reconheço, mas uma expressão chamou-me a atenção... Esforcei-me para ouvir o que o refrão dizia: "Esqueça tua maria..."
Eu não sabia exatamente se era mais uma de minhas divagações sobre tudo, a vida, o momento por que passo, mas eu ouvia vozes caipiras ao longe
"...esqueça tua maria..."
e a letra como num sarcasmo dizia: "não sei por que foi que ela me deixou... talvez por causa de alguém, maria me abandonou..."
Sorri forçado... quase sem acreditar...
Parei e tentei escutar a música. A melodia era simples, mas a letra parecia-me encravar... a dor volta, continua... Tento continuar minha caminhada solitária, mas a letra me persegue: "esqueça sua maria..."
E desde então, minha ida ao mar tem uma canção sombria
a onda vai
a noite esfria
o mar canta...
"... esqueça sua maria..."(Alde)
INDO
Sonhei que eu renunciava ao amor que me dedicavas...
e por mais que as súplicas aumentassem eu não conseguia desfazer tamanha injustiça.
E tu pedias a mim: "Não vá! não me deixe!"
E eu ia... sem ao menos olhar para trás...
Eu apagava todas as marcas que pudessem fazer lembrá-lo
Todos os sons que ousassem denunciá-lo
e mais...
Partia com o coração rasgado
mas não era capaz de voltar...
E tu me pedias: "Vá de leve... não te afastes desse modo..."
E eu começava a correr, na ansia de não ver mais tua imagem
De não ouvir mais teus sussurros
De não querer mais teu toque...
Eu disse adeus naquele dia...
enquanto tu suplicavas: "não diga"
...
Parecia um sonho interminável
E não via a hora de chegar a manhã para poder livrar-me
Desse infortúnio sonho que dilacerava minh'alma
Estava cansada...
Eu esperava tua voz me convencer a voltar
A sair deste louco devaneio
Dessa insanidade medíocre
Em dar as costas ao nosso amor...
Mas qual o quê? Lá estava eu, impassível
Apagando, deletando, soturna
calada...
Nem adeus fui capaz de pronunciar...
e nem tua voz pôde me convencer...
...eu fui...
e continuo indo...
(Alde)
e por mais que as súplicas aumentassem eu não conseguia desfazer tamanha injustiça.
E tu pedias a mim: "Não vá! não me deixe!"
E eu ia... sem ao menos olhar para trás...
Eu apagava todas as marcas que pudessem fazer lembrá-lo
Todos os sons que ousassem denunciá-lo
e mais...
Partia com o coração rasgado
mas não era capaz de voltar...
E tu me pedias: "Vá de leve... não te afastes desse modo..."
E eu começava a correr, na ansia de não ver mais tua imagem
De não ouvir mais teus sussurros
De não querer mais teu toque...
Eu disse adeus naquele dia...
enquanto tu suplicavas: "não diga"
...
Parecia um sonho interminável
E não via a hora de chegar a manhã para poder livrar-me
Desse infortúnio sonho que dilacerava minh'alma
Estava cansada...
Eu esperava tua voz me convencer a voltar
A sair deste louco devaneio
Dessa insanidade medíocre
Em dar as costas ao nosso amor...
Mas qual o quê? Lá estava eu, impassível
Apagando, deletando, soturna
calada...
Nem adeus fui capaz de pronunciar...
e nem tua voz pôde me convencer...
...eu fui...
e continuo indo...
(Alde)
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