A menina tem insônia todos os dias...
rói as unhas, fantasia coisas que nunca aconteceram e sonha com outras que poderiam acontecer... mas que nunca irão...
Beija o cachorro pensando em um príncipe... que já foi ogro... que ficou no lodo dos seus pensamentos e nunca mais saiu...
Finge uma tranquilidade que não existe,finge ser alegre mas está tremendamente triste... finge saber quem é, mas nem do seu nome gosta mais...
Essa aparente lucidez a deixou estagnada à beira da janela... levou suas unhas desmaltadas à boca e sentiu um beijo morno daqueles que foram tão frequentes e que hoje já não existem mais...
Não se permite chorar... precisa sofrer assim como espécie de punição a todo mal que causou e sabe que o mal maior foi a menina que outrora ela era...
Essa que aqui está, aprendeu a olhar por sob os óculos
franzir o cenho
comprimir os lábios
apagar os sinais da lágrima
antes mesmo que ela teime em aparecer...
nada de inspiração feliz e palavras contentes
apenas os traços de um dia que aspirou ser
e o que ela era quando estava "menina"...
(Alde)